sábado, 21 de agosto de 2010 4 comentários

Map Of a Problematique

"Medo e pânico no ar
Quero me libertar
Do estrago e do desespero
E me sinto como se tudo que vi
Estivesse começando a se devastar
E me recuso a te deixar partir"
 
( Muse - Map Of A Problematique )


Eis que ele havia dito: "podes beber de todos os líquidos desta adega, exceto aquele da garrafa triangular, de cor rubra, ao final da segunda prateleira. Deste não beberás, ou sobre ti cairá o terrível e o inevitável e para sempre perderás a paz, entretanto, para sempre também será fadado a procurá-la".
E eu o havia bebido. Posto que era o vinho mais delicioso de todos os que provei antes. Mais doce, mais suave, mais tentadoramente viciante. O vinho do conhecimento, da verdade, dos sábios. Engarrafado por mãos lisas e poderosas. O vinho dos Deuses. A garrafa diminuta esvaziara-se apenas quatro goles depois, e a sede secara minha garganta, a tontura dominara minha cabeça. Tão poderoso e pouco, muito pouco. Eu queria mais.
Eu necessitava de mais.
- Por que o fizeste? - A voz ressonante retumbou. - Por que o tomaste?
Obriguei-me a levantar os olhos do frasco vazio. Olhei-o a princípio envergonhado de haver quebrado tal regra, apenas por uns segundos, depois meus olhos cerraram-se em conjunto com meu maxilar. Como ele poderia ser tão egoísta? Justo o qual prezava pela solidariedade entre os homens, justo o qual havia me ensinado a tudo que sabia. E agora via, eu sabia tão pouco.
- Como ousa me fazer tal pergunta? Por que proibiu-nos de tomar tal cálice? A caso somos inferiores a ti? Queria guardar tal tesouro apenas para si? Onde está sua solidariedade?
Ele meneou a cabeça, e em seus olhos vi lágrimas.
Lágrimas de falsidade, deveriam ser. Como não podia ter enxergado antes? O impostor que ele era, o falso eremita, o Judas.
- Ah, meu pobre. Parte daqui. Parte antes que tua clareza destrua nossa sociedade.
Sorri secamente, jogando a garrafa a seus pés, desfazendo-a em pedaços cortantes, desejando que perfurassem sua pele e derramassem seu sangue.
- Partirei. Apenas por que buscarei a fonte deste vinho, e quando a encontrar distribuirei a todos. O conhecimento deve ser compartilhado, não é mesmo?
Ri sardônico.
- Não compreende. Você...
Levantei a mão. Bastava daquelas mentiras sujas.
- Adeus.
E parti.
Mal sabendo o que tinha feito. 
 

Continua...?


 
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