domingo, 5 de junho de 2011

O sol e a solidão


Não sei mais quantas vezes olhei aquele mesmo sol descer no horizonte, pintando as nuvens de dourado e levando a claridade pura a todos os cantos até onde os olhos humanos não enxergam. Fazendo brilhar a qualquer coisa indiscriminadamente. Tão simples e incondicional quanto qualquer detalhe da natureza.
Mas assim como o sol deslancha suas ondas de vida, vem e vai todo dia, incessantemente, sem procurar ou esperar por elogios, mesmo sabendo da importância que ele tem, assim deveriam ser as pessoas e as coisas. Mas talvez ele seja assim só por que não precise que lhe digam isso, por que ele sabe, em seu íntimo, que é uma das razões para que tudo de bonito aconteça a sua volta, lhe é tão óbvio que apenas isso basta. Como uma boa sensação passada pela simples presença de alguém muito mais do que qualquer palavra.
Entretanto, talvez mesmo sabendo de tudo isso, e indo e vindo, ele só queria um pouco mais de atenção, de carinho. Por que embora ele esteja ali para todos, não há ninguém ali por ele. Talvez ele queira companhia, mesmo sabendo que não pode ter. Por que ninguém ousaria se aproximar tanto de um sol fustigante com medo de se queimar. E ele queimaria, talvez não por vontade, mas se não algo que ele não pode controlar. Como nossos defeitos.
Por mais brilhante, puro e bonito que ele seja, o Sol é um medroso. Ele gosta de ver a vida, de fazê-la continuar, mas ele sabe que aquela vida nunca vai ser sua, que seu papel é outro e que, talvez, só talvez, seja melhor assim. Continuar brilhante, porém só. Por que no fim, ele também sabe, que mesmo sendo importante para os outros, ele não tenha a capacidade suficiente de ter alguém importante para ele próprio.





Alessandra B.

0 comentários:

Postar um comentário

O que você achou?

 
;