Permiti-me, depois de uma semana corrida de trabalho, caminhar solitariamente por aquelas ruas, tirar fotografia dos bistrôs, das praças, dos prédios. Aquela cidade era tão bonita, tão romântica, que meu estômago enchia de borboletas só em observar os outros viverem suas vidas cotidianamente.
Paris!
Sentia um arrepio só em pensar que eu realmente estava ali. Não era mais um dos muitos sonhos, das muitas estórias escritas. Não. Eu finalmente estava lá. E como eu queria estar, como eu esperava.
Sentei-me em um dos bistrôs, pedi um cappuccino e contemplei a paisagem enquanto esperava. A pressa dos carros, os risos discretos das pessoas, as expressões centradas da maioria - àquela hora provavelmente saindo dos seus trabalhos. Tudo era interessante, não queria perder nenhum detalhe. Na verdade, o que eu queria mesmo era me perder naquela cidade, seja na manhã fria, nas tardes morosas ou nas noites boêmias.
Uma parte de mim sentia saudade do meu país, da vida sólida e cheia de raízes que eu criei, mas era uma parte que se contentava em saber que, não importa onde eu esteja meu passado sempre será meu presente, o que eu construí é firme, e sempre que eu quiser voltar, braços abertos me esperarão, com aquele cheiro de casa, de conhecido, que tanto conforta quando estamos longe.
E essa parte que sente saudades também sabe que eu preciso estar longe. Em movimento constante. Que eu não nasci pra ficar aprisionada numa gaiola, seja dos sentimentos, seja dos relacionamentos. Eu não seria feliz assim, mesmo cheia de gente, mesmo que fossem as pessoas que eu amo. É uma necessidade simples de liberdade, que envolve um comportamento complexo por estar só.
Não sou fácil de entender, nem eu mesma me compreendo, mas por agora, observando os parisienses, começando uma nova vida, no emprego que eu gosto, na cidade que eu sempre quis viver. Eu me permito dizer que estou feliz. E que me dou bem comigo mesma e com a minha solidão.
106ª Edição Visual - Bloínquês.


1 comentários:
Oi Alessandra, gostei do seu texto. També participei dessa edição, se puder leia a minha história depois e me diga o que achou.
http://reflexoesdo719r.blogspot.com
"Ela"
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Abraço.
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